O amor que é amor. O amor que liberta.

Postado por em 17 dez, 2015 - Textos

Nessa semana eu fui abençoado com uma linda mensagem de uma pessoa muito querida. Nos conhecemos através do processo terapêutico dela e, ainda que o processo tenha sido interrompido em função do meu período fora do Brasil, acompanhar o seu caminho, mesmo de longe, é algo que deixa feliz.

Em sua mensagem para mim, ela não trouxe bem uma pergunta, foi mais um relato mesmo. Como se já não bastasse a beleza por ter sido escolhido por ela para receber o relato de seu coração, ela ainda abriu um espaço para que eu dissertasse sobre. Coisas de coração aflito.

A mensagem é sobre relacionamento a dois, e toca num ponto que é sempre um grande desafio e, ao mesmo tempo, um ponto de transformação de muita gente que escolhe amar de verdade. Como é algo que já foi parte do caminho de muitos daqueles com quem trabalhei e troquei na seção de terapia e na vida, achei por bem multiplicar por aqui.

A mensagem dela:

“Sabe quando vem aquele querer a felicidade do outro, porque simplesmente dentro de você tem o desejo de ver aquela pessoa ter o melhor que a vida pode oferecer?

Escrevi para uma menina que sai duas vezes mas não sei porque as coisas fluíram pra mim de uma forma diferente do normal. Não fui correspondida, mas ela sempre jogou bem aberto e sempre me tratou/trata muito bem!

Te mandei o texto. Queria ouvir você falar sobre.”

Resposta:

É difícil dizer alguma coisa quando não se tem o contexto. Esse canal virtual de mensagens de texto acaba sendo muito bom para facilitar a presença física, o que neste momento não pode acontecer por eu estar fora do Brasil. Mas adorei ter recebido essa sua mensagem e vou fazer o máximo para te dar um retorno, pois sinto real vontade de fazer isso com o coração.

Ao ler a mensagem que você escreveu para ela, fico com duas impressões: a primeira delas é que você parece estar se esforçando (no bom sentido) em abrir os seus sentimentos para outra pessoa. Por mais que isso possa ser um pouco arriscado, visto que é uma escolha em se vulnerabilizar e, ao mesmo tempo, não jogar com o outro, é um caminho verdadeiro (no fundo, só há risco para o que é mentira em nós). Quando expressamos o que sentimos (ou pelo menos tentamos, pois é algo realmente difícil), não precisamos criar o que não existe. Não desperdiçamos energia à toa para tentar adivinhar o que o outro gostaria de ler ou escutar. Criar histórias e não ser verdadeiro é como usar de certos artifícios dentro de um jogo. Para quem escolhe se relacionar a partir do ponto em comum de verdade da relação, e assim edificar algo realmente valioso na vida, independentemente do tempo ou forma que essa relação irá tomar, o uso de tais artifícios passa a ser naturalmente dispensável. Se relacionar traz várias oportunidades e uma delas é a de se ver cada vez melhor, se conhecendo mais profundamente. Se você escolhe se expressar o mais verdadeiramente possível, está, antes de tudo e da possível dor que há em se relacionar, fazendo algo de significativo e belo para a sua própria vida.

A segunda impressão que eu vejo com grande beleza nas suas palavras é: você está apaixonada. Estar apaixonado é maravilhoso e, como na escolha de nos expressarmos verdadeiramente, corremos riscos. A certeza de um apaixonamento é que haverá suspiros de encantamento e também algumas dores. Há sempre aquela tentação de fazer qualquer coisa para evitarmos a nossa dor quando o outro alguém, por algum motivo ou razão, não escolhe estar naquela relação e até não se comunicar verdadeiramente conosco, o que no fim acaba sendo a mesma coisa. É lindo quando você diz sobre a felicidade do outro, “do desejo de ver aquela pessoa ter o melhor que a vida pode oferecer”. E se você chegou a esse lugar, e às vezes só chegamos por poucos segundos, pois, como diz Rubem Alves, “queremos possuir aquilo que amamos”, te digo que esse é o único local realmente livre que eu conheço. Pode ser que, para o outro, o melhor que a vida pode oferecer não nos inclua. Isso inevitavelmente traz alguma dor. Mas tente viver essa dor com todo o seu amor, com todo o desejo de ver o outro feliz. Essa dor é passageira e você vai ficar de pé! Se você conseguir viver a dor apoiada nesse amor, querendo o bem do outro, você não cairá na tentação de criar movimentos e histórias de conquistas. Conquistar alguém pode ser uma grande perda de tempo e energia, pois é o momento em que abrimos mão de aceitar que o nosso natural e verdadeiro não se conecta com o natural e verdadeiro da outra pessoa.

E se você for correspondida no seu apaixonamento, na história de amor, ainda assim não estará livre de possíveis dores no futuro da relação. Então siga no exercício da liberdade de querer o bem do outro. Coragem minha querida! Isso certamente te elevará.

Depois de sua mensagem verdadeira, da sua revelação para a outra pessoa, tente ter a paciência como sua companheira. Assim você poderá fazer como os pássaros, que aproveitam os ventos e voam sem resistência. De uma corrente a outra, eles chegam levemente ao seu destino final.

Para o caso de a paixão não ser correspondida, saiba que, quando uma porta se fecha, há sempre outra se abrindo. Lamente e sinta o que for para ser sentido, mas não exagere e lembre-se de olhar pra frente.

Receba o meu abraço forte, de um coração que já sorriu e chorou paixões e amores, e que deseja para ti o melhor que a vida pode oferecer.

O amor que liberta

O amor que liberta

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