Empatia

Postado por em 20 set, 2013 - Textos

Sexta-feira passada, retornando de mais uma semana de atendimentos em São Paulo, peguei um ônibus de volta pra o Rio de Janeiro. Ao partir da Rodoviária, quando os passageiros já se acomodavam para descansar pelas próximas seis horas de viagem até o destino final, um homem de aproximadamente 30 anos começou a falar muito alto em conversa por telefone.

Bastou que isso acontecesse para que as pessoas começassem com os “xiiiiii”, “fala baixo, “xiiiiiii”, “cala a boa”, “xiiiiii”, “quero dormir”, etc. O rapaz parecia bem aflito ao telefone. Pelo que ele falava, ficou claro que errara em algo importante do seu trabalho e, portanto, tentava concertar o erro. Passados uns cinco minutos, ele desligou. Mais cinco minutos e, quando todos achavam que o silêncio estava estabelecido, eis que surge uma nova ligação. Dessa vez ele ligara para aquele que, provavelmente, é o seu chefe, a fim de avisar que o erro estava reparado.

Foi possível sentir o medo em sua fala. Medo de perder o emprego, de não ter dinheiro no fim do mês, de ser taxado de irresponsável, de ser incapaz, de não conseguir, de fracassar. Com compaixão, facilmente poderíamos sentir toda a ansiedade de seu coração naquele momento.

Todos os dias somos visitados por inúmeras situações parecidas com essa, de nos sentirmos incomodados pelas ações dos outros. É como se tivéssemos nosso espaço, repentinamente, invadido pelo outro. No entanto, dificilmente o outro está agindo com esse objetivo, de nos incomodar. Geralmente, trata-se de um “copo transbordando”, de algo que aquele ser humano não deu conta de administrar sozinho, no seu espaço. É como se fosse um pedido de ajuda, num outro formato.

A pergunta que se segue é: queremos, realmente, viver separados, nos protegendo, em nossos pequenos e restritos espaços?

Quando algo como o ocorrido acima acontece, temos a opção de seguir “lutando contra”, dedicando nossa energia para que o outro mude. Nesse sentido, os rotulamos como “errados” e alimentamos nossos incômodos. Contudo, também temos uma outra opção, que direciona nossos atos para a união. Esse outro caminho depende de uma palavrinha que muitas vezes dizemos sem estarmos plenamente conectados com o seu mais profundo significado: empatia.

Compartilho a simples e essencial descrição de empatia por Pierre Weil (do livro “A Arte de Viver a Vida”): “é um esforço de cada um para se colocar no lugar do outro, mostrando que compreendeu as posições e sentimentos deste. Empatia é a capacidade de alguém se colocar no lugar do outro e de compreendê-lo”.

Nos tornamos o que somos na relação com o outro. Compartilhamos histórias muito parecidas. Mudam os atores e as situações, mas sentimos do mesmo jeito. Raiva, afeto, saudade, carinho, respeito, solidão, alegria, insegurança, confiança, medo… sentimentos que todos vivemos.

Todos queremos “voltar pra casa”, pro nosso estado natural de amor.

Que o sentido da empatia esteja cada vez mais presente e ativo em nossos corações.

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