O grande espelho do que somos

Postado por em 21 jul, 2015 - Textos

Estou em meio a um período diferente da minha vida. Me organizei para me permitir um tempo viajando, sem muito planejamento antecipado e também sem pensar em ganhar dinheiro. Apenas estando aberto a conhecer novas pessoas, histórias e locais, tentando encontrar e respeitar aquilo que quero fazer e aprendendo o que a vida traz para me ensinar. Os dias em cada lugar variam, de acordo com o sentir.

A data de ida foi a única certeza. Desde esse dia, há quase 3 meses, é impossível prever o retorno. Venho aprendendo, com o fato de ter tempo, a me relacionar mais profundamente com cada lugar e, no máximo, pensar no próximo passo. Outro grande aprendizado se dá a partir da conexão com o crescimento da confiança em mim na medida que a necessidade de controle se faz menor.

Há muito tempo sentia vontade de ter um tempo assim, para me ver de lugares que são completamente diferentes daqueles que estou mais habituado a estar e viver. É interessante perceber que sair da zona de conforto pode ser ainda mais confortável. Antes de viajar, eu e minha esposa vendemos tudo que tínhamos, fizemos nossas mochilas e, mesmo com algumas preocupações em mente (a mente sempre teme o novo), passamos a ver de perto o que suspeito ser fluxo.

Não existia em mim nenhuma insatisfação com a vida pessoal e profissional. Amo minha profissão e aqueles com quem convivia no meu dia-a-dia. Tampouco trata-se de uma sensação de desgaste com o país. O sentimento que me move é algo difícil de ser explicado, mas é uma proposição, um movimento que se dá pela motivação de ver alguns caminhos abertos na frente e me sentir convidado a desbravá-los.

Um pouco antes de iniciar esta jornada, quando fazia meus últimos atendimentos terapêuticos e me organizava para partir, tive o prazer e a honra de atender uma pessoa que pra mim é mais que amigo: trata-se de um irmão de vida. Ao fim da seção conversávamos sobre a viagem e seus preparativos. Então ele, que é muito sensível e inteligente, me perguntou: “Arthur, o que você está buscando com essa viagem? O que te falta aqui?”. Respirei fundo e respondi para ele: “Não sei o que estou buscando. Não sinto falta de nada aqui, mas essa viagem é algo que quero muito fazer. Tudo está maravilhosamente bem e é exatamente por isso que quero viajar agora, por não se tratar de uma certa fuga de algo que não vai bem na minha vida”.

Enquanto eu respondia ele sorria. Quando terminei de falar ele me disse: “essa sua resposta me lembrou de uma história…” E começou a conta-la (mais ou menos assim):

“A história é sobre uma cidade escondida, que era protegida por um grande muro e havia apenas um único portal de entrada. Neste portal, um monge decidia quem estaria autorizado a entrar na cidade.

Um primeiro viajante chegou em frente a este portal. O monge o viu chegar e perguntou: “caro viajante, o que faz aqui? De onde vem?”.

Eis que o viajante respondeu: “quero entrar na cidade! Me disseram que esta cidade é maravilhosa! Completamente diferente do lugar de onde eu venho, onde a corrupção está por toda parte. Posso entrar?”

O monge respondeu: “não te aconselho a entrar aqui. Esta cidade está tomada por gente corrupta. Acho que você vai se arrepender se cruzar este portal.”

O viajante chegou a pensar numa forma de entrar escondido na cidade, mas resolveu apenas agradecer ao monge e seguiu para outro lugar.

Um tempo depois surgiu um segundo viajante no portal da cidade. O monge então fez as mesmas perguntas e o segundo viajante respondeu: “estou feliz por chegar aqui. Venho de um lugar com muitas guerras entre as pessoas. Todos estão cheios de raiva, não compreendem uns aos outros. Me disseram que nesta cidade todos são muito pacíficos e amorosos. Posso entrar?

O monge respondeu: “não passe por este portal. Esta cidade está cheia de gente intolerante. Há muita raiva dentro desses muros. Aqueles que disseram que aqui há paz estavam enganados.”

Claramente desapontado e contrariado, o segundo viajante pensou em enfrentar o monge e entrar na cidade usando a força, mas resolveu apenas virar as costas e seguiu o seu caminho.

Então, algum tempo depois, surgiu um novo viajante. O monge, ao vê-lo chegar, fez as mesmas perguntas de sempre. E este viajante respondeu: “olá monge! Quero conhecer esta cidade. Amo o lugar de onde venho. É lindo, pacífico, cheio de gente especial e honesta. Tenho grandes amigos e muitas histórias de lá para contar. Adoraria poder trazer um pouco de mim para esta cidade. Posso entrar?”

O monge respondeu: “acho que você irá gostar daqui! Tenho certeza que você fará grandes amigos e escutará grandes histórias. Também encontrará aqui um lugar de paz, com pessoas honestas. Aproveite! Seja bem-vindo!”

Tudo o que surge em nossas vidas é o resultado do que vibramos e somos. Enviamos uma informação energética para o mundo e o que se apresenta a nós vibra na mesma frequência. Todas as pessoas, situações e lugares são particulares a cada olhar, a cada vibração. Portanto, fazemos uma grande diferença quando nos tornamos nossos próprios observadores e passamos a perceber que tudo está ao nosso serviço, como um grande espelho que nos mostra exatamente aquilo que somos.

il mio cammino (foto de Arthur Belino)

il mio cammino (foto de Arthur Belino)

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