Entre o medo e a coragem

Postado por em 8 out, 2015 - Textos

Vivemos um belo e rico processo quando escolhemos não mais apenas atendermos às (falsas) necessidades que criamos para fazermos valer o propósito de nossa existência.

A Cartografia de Transição para o Ser, exposta abaixo, aborda exatamente este processo. Há muito estudo e experiências pessoais que inspiraram esta criação, mas não posso deixar de citar o papel fundamental do canal intuitivo durante a sistematização desta Cartografia.

Seu objetivo é auxiliar a todos que se interessam em transitar do medo para a confiança em suas vidas.

>Cartografia de Transição para o Ser:<

- Estágios:
1) Eu quero ser feliz por ser amado
2) Eu quero ser feliz
3) Eu quero
4) Eu
5) Eu sou
6) Eu sou feliz
7) Eu sou feliz e amo

1) Eu quero ser feliz por ser amado:

Estágio em que buscamos referências apenas a partir do que está fora de nós. Nossas escolhas são o resultado da criação daquilo que pensamos que outras pessoas e/ou situações vão aprovar. A imagem que queremos criar para essas pessoas e/ou situações faz com que elas se tornem referência para nós. Sempre que nos avaliamos olhamos para nós com os olhos dos outros. Com o olhar vindo de fora, nossa verdade convive com um espaço muito reduzido, sem oportunidades de manifestação. Muitos e intensos pensamentos vem e vão e, por isso, a ansiedade geralmente inicia sua relação conosco neste momento.

2) Eu quero ser feliz:

Este é o estágio em que começamos a desconstruir padrões e, consequentemente, a nos perder (para posteriormente nos acharmos). Ficou claro que nossas atitudes, baseadas em referências externas, não foram capazes de nos proporcionarem boas sensações e experiências. Ainda estamos habituados a agirmos em função do outro, mas já podemos nos observar fazendo coisas que não acreditamos mais e queremos mudar. É o início de uma transição. Queremos ser felizes mas não sabemos por onde começar. Ainda há muito apego neste momento, o que nos faz entrar em contato com o medo de abrir mão, de largar comportamentos, atitudes, pensamentos, padrões, relações e compromissos que sabemos que não nos fazem bem. A prática da auto observação é muito importante neste estágio, e a meditação pode ser uma grande aliada nesta tarefa.

3) Eu quero:

Se conseguimos nos desapegar de tudo aquilo que não nos faz bem e se conseguimos ter sucesso na síntese de nós mesmos, que é simplesmente nos desfazermos do que não faz mais sentido para nós, chegamos a este estágio. Nele, damos início a um movimento de expansão: é comum querermos provar cursos, vivencias, terapias, etc. Estamos abertos a vivermos novas experiências, a nos inspirarmos por caminhos, ainda que soem estranhos para nós. Mas o fato de já sabermos parte do que não queremos faz a mente se abrir ao que anteriormente poderia parecer distante de nossa realidade. Pode haver uma certa euforia aqui, pois aprendemos muitas teorias, vemos muitos exemplos da realização de outras pessoas, mas ainda não sabemos o que devemos fazer para trilharmos nosso próprio caminho.
O encantamento pelo novo e o consumo por teorias e verdades aparentemente absolutas faz muita gente permanecer por algum tempo neste estágio, entre a aparente sabedoria mental e a real ação do coração (as vezes com grande distância entre eles). Quando o ego se apropria do conhecimento adquirido neste momento, facilmente podemos encarnar o arquétipo do “dono da verdade”, frequentemente radical e intransigente. Isso nada mais é que uma revolta por percebemos que, sozinho, este conhecimento não pode fazer nada por nós. Luz e sombra geralmente estão em forte manifestação quando aproveitamos bem este estágio, nos colocando em contato com profundas, desconhecidas e adormecidas partes de nós.

4) Eu:

Depois de entrarmos em contato com muito de nós que estava a espera de nossa atenção, iniciamos a dedicar cada vez mais tempo ao complexo e rico universo gerador do nosso Ser. Naturalmente alguma coisa acontece e passamos a perceber tudo o que se relaciona conosco de uma forma diferente do que estávamos habituados. Já não conseguimos nos enganar e ver separação entre nós e o que está “do lado de fora”, por mais que ainda tenhamos partes que queiram sustentar a ilusão de seguir vendo esta inexistente separação. Sentimos que há um sentido e um propósito para tudo que vivemos, mesmo que não possamos entender isso num primeiro momento. Viramos exploradores de nós mesmos. Passamos a mudar sutil e substancialmente questionamentos do tipo “porque eu?” por “para que?” ou “o que isso está querendo me dizer?”. É normal que neste estágio surja uma sensação de egoísmo, principalmente por um entendimento um pouco deturpado desta palavra. No entanto, fica claro que, em tudo, o ponto de partida somos nós. É como se tivéssemos um projetor fixo no meio do peito, plasmando na nossa frente a criação do que vibramos enquanto energia. A partir daqui, nossos olhos são cada vez mais nossos, olhando para o mundo a partir do que somos, em um novo nível de consciência.

5) Eu sou:

Encontro com o que é potencia em nós. Nos aproximamos do que é nosso dom e das possibilidades de ação que dele decorrem. Experimentamos o que é trabalhar sem a necessidade de um esforço que vá além do que é saudável para nós. Aqui, nos deparamos com desafios para:
- superarmos o medo e, enfim, nos entregarmos ao nosso propósito e
- não nos acomodarmos com o prazer de uma realização, pois certamente ainda há muito a ser feito.
Passamos a trocar a necessidade de controle, de saber se nossas escolhas nos levam a resultados seguros, pelo que é impossível compreender apenas pela razão, pelo que ainda é mistério. Começamos a dizer sim para o coração e o que um dia parecia impossível começa a virar realidade. É o fim da ilusória separação entre vida pessoal e profissional. Somos o que fazemos e fazemos o que somos.

6) Eu sou feliz:

O encontro conosco traz a sensação de estarmos trilhando o nosso próprio caminho. Estamos cada vez mais abertos para olhar para o nosso passado e, então, organizá-lo dentro de nós. Fica claro que tudo que vivemos tem um lugar harmônico na constituição do que somos hoje: o que foi maravilhoso, o que foi difícil e nos marcou profundamente, os momentos em que nos sentimos completamente perdidos e distante de nós, etc. Cada experiência foi um tijolo fundamental na construção do que somos hoje. Já não queremos mudar o que passou, pois começamos a ver perfeição em tudo. Naturalmente, paramos de usar tempos verbais como: “se eu tivesse feito isso…”, “eu deveria ter feito aquilo…”, etc. Organização e disciplina são extremamente importantes neste estágio. Muitas partes em nós ainda estão abertas para usar tempo e energia na distração. No entanto, este é um especial momento de criação: comprometidos conosco, abrimos espaço para o nascimentos de novas ações, histórias e movimentos alinhados ao Deus que há em nós.

7) Eu sou feliz e amo:

Nos tornamos canal do amor da vida. Nos sentimos como a água clara de um rio, fluindo com segurança e confiança pelo nosso caminho. A integração das nossas quatro funções psíquicas, Intuição, Razão, Emoção e Sensação, nos traz maturidade de trocarmos pensamentos obstinados e ansiosos pelo relaxamento que, naturalmente, traz respostas no seu devido tempo. A abundância da vida se manifesta para nós e isso faz com que a necessidade de acúmulo, que provém do medo de não ter, se estanque. Fazemos do silêncio um aliado ainda mais potente, que facilita o encontro interno com tudo que é verdadeiro em nós. Temos cada vez mais clareza do quão simples é a vida e esta simplicidade se torna uma referência de nossas ações. Estamos preparados para servirmos ao outro pois este movimento é uma natural consequência de servirmos a nós mesmos. Entendemos que só podemos oferecer aquilo que nós vivemos e o amor ao outro é o resultado de estarmos nos amando incondicionalmente. Conseguimos ver o amor inclusive por trás de situações e pessoas mais difíceis para nós. Somos protagonistas e propositores da nossa vida e enxergamos oportunidade de harmonização em tudo. Lidamos com sombras ainda mais profundas e desafiadoras, o que geralmente é muito difícil, mas já não paramos em frente a elas. Sabemos que devemos seguir em frente, seja na luz ou na sombra, e o medo então aponta e revela a coragem em nós. Vivemos como agentes de manifestação do nosso propósito e, assim, os anjos podem se aproximar de nós. É um especial momento onde sentimos um agradecimento por todo o Ser.

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Parece que a tal iluminação, que tanto é falada atualmente, se revela para nós ao chegarmos neste último estágio, certo?
Eu, particularmente, não vejo assim.

Acredito que diariamente acordamos “ignorantes”, partindo do início. O desafio é percorrermos estes estágios com cada vez mais clareza, já que passamos a conhecer o caminho. A certeza é que sempre teremos uma bela e grandiosa tarefa a ser feita.

Talvez essa tal iluminação seja aqui, agora, durante o processo, pois, sem dúvidas, o viver é maravilhoso quando a gente anda na direção do amor.

You are beautiful (foto de Arthur Belino)

You are beautiful (foto de Arthur Belino)