Nascidos para Voar

Postado por em 27 jun, 2016 - Textos

Tem coisas que, nesta Vida, estão mesmo destinadas a viajar. Veja só o caso do saco de dormir que levo comigo, nesta jornada de mergulho no mundo em que me encontro.

(Para saber mais sobre a viagem que eu estou fazendo, há pouco mais de um ano, clique aqui e/ou aqui)

No início da década de 80, meu querido sogro usou esse mesmo saco de dormir em sua jornada de quase um ano desbravando a Europa. Depois disso, ele já foi usado em algumas outras vezes por seus filhos em suas viagens.

Este saco de dormir foi fabricado na França e essa é talvez a única informação que ainda é possível ler em sua desgastada etiqueta. É feito com plumas de gansos, o que o deixa muito confortável e resistente ao frio.

Na época de frio, os gansos naturalmente desenvolvem mais plumas, que no fim da estação fria se soltam e caem. Essas são as plumas usadas no saco de dormir, plumas que voam e viajam com seus donos por toda uma estação antes de se desprenderem. Gosto de sentir que, mesmo que de uma outra forma, as plumas deste saco de dormir seguem voando e encontrando novos ares.

Antes de embarcarmos nesta viagem que segue em curso, eu e minha esposa fizemos um pequeno planejamento do que levaríamos em nossas mochilas. Concordamos que seria bom viajar com um saco de dormir, mas acho que essa escolha aconteceu porque tínhamos especialmente disponível este “viajado” saco de dormir. Tanto é que, mesmo tendo outros dois sacos disponíveis, saímos do Brasil levando apenas este.

Não que ele seja melhor ou os outros piores. É uma coisa de energia mesmo! Todas as coisas que existem são feitas de energia, e essa energia que nos compõe possui uma informação. E parece que a informação energética deste saco de dormir, aquilo que vibra, se alinha com a frequência de viagens longas. É como se, em sua constituição, tivesse “nascido” para cruzar oceanos e fronteiras. Alguém pode ate pensar, ao projetar emoções humanas: “injustiça os outros sacos de dormir não terem essa oportunidade de viajar pra longe”. Que nada! A frequência energética deles é outra. Como objeto não pensa, o que pode até ser visto como virtude, cada um cumpre diretamente o seu propósito, se movimentando ou não de acordo com a sua energia em relação a energia de pessoas, situações e/ou lugares que interagem com eles. Ou seja: não tem saco de dormir “mais feliz” ou “mais triste” ou “mais realizado”. Não tem melhor nem pior. Pra quem não pensa e não tem ego, está sempre tudo certo!

Conosco, seres humanos, a questão energética é igual. A gente vibra e se relaciona com o mundo de acordo com a nossa frequência. Enviamos uma informação energética para o mundo e o mundo interage conosco na mesma frequência, como um complemento espelhado. A diferença principal entre nós e um objeto, como o saco de dormir, é que a gente tenta interferir naquilo que vibramos. Exemplo: vibro a frequência energética X mas, a partir do meu ego, da imagem idealizada que tenho de mim, tento, brigo, luto e me esforço além da conta para mostrar que que sou Y.

Nós somos o que vibramos e, por isso, quando a gente tenta ser ou acha que é algo diferente da nossa energia, remamos contra a maré, contra a nossa própria natureza. Não tem melhor energia, frequência ou vibração. Somos o que somos! Aceitar isso é um verdadeiro ponto de partida para a natural e harmônica expansão da consciência. Estar alinhado energeticamente significa, antes de tudo, estar consciente do que se é e se está vibrando, abrindo espaço para que a nossa energia flua livremente.

Escolher viver em desacordo com as informações energéticas que vibramos, com a fonte de sabedoria que existe em nós, é como se trancar numa gaiola, colocar a chave no bolso e esquecer que ela está lá conosco. Depois, o normal é começarem os gritos raivosos contra aqueles que estão fora da gaiola e que “nos colocaram ali”. Além disso, estando em desacordo com o que somos, atraímos situações, pessoas e coisas que também estão naquela mesma frequência, até como uma forma de nos vermos melhor.

Quase todos os auto-trancafiados em suas gaiolas também cruzam oceanos e fronteiras, como o saco de dormir, mas o fazem dentro de suas gaiolas. Viajam com gaiola e tudo. Entram em contato com outras cores e realidades e, dali de dentro, vislumbram novas e amplas possibilidades. Depois de um tempo bem definido, retornam de viagem e geralmente ficam frustrados quando comparam a vastidão do que foi visto ao seu reduzido espaço. E então voltam a reclamar contra quem os trancafiou ali e escondeu a chave.

Por outro lado, conscientes do que somos, em alinhamento com a nossa energia, nos conectamos com pessoas, situações e objetos que estão na mesma frequência. E é por isso que não só nós escolhemos levar o tal saco de dormir conosco. De alguma forma, ele também escolheu vir conosco e segue em seu serviço simplesmente por ser o que é. Antes da própria viagem, já servia como uma boa anunciação do que estava por vir.

Temos planos de voltar ao Brasil ainda neste ano, 2016. Imagino que, após a chegada, uma nova viagem encontrará o saco de dormir. Certamente cruzaremos com alguém a espera dele. E devemos emprestá-lo. Afinal, ele “nasceu” para isso. Talvez, mais até do que acolher o sono do viajante, ele está aqui para ajuda-lo a abrir suas asas e voar.

O Voo

O Voo

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