O pensamento que pode nos salvar da ignorância

Postado por em 24 nov, 2015 - Textos

“Os problemas do mundo de hoje não podem ser resolvidos com o mesmo modo de pensar que os criaram”.

Há alguns meses escutei uma história muito inspiradora aqui na Itália. Fui tocado pela consciência e sabedoria da frase acima, de Albert Einstein, que revisitou minha memória enquanto sentia a história que me contavam.

Um homem armado entrou em uma tabacaria a fim de roubá-la. Durante os momentos do assalto, não se sabe porque, o homem disparou contra a dona da tabacaria e, em seguida, se matou. Provavelmente o desespero da vida desse homem, seguido da forte experiência de tirar a vida de outra pessoa em meio a um assalto, o fez desistir de sua própria vida.

Ele era pai de dois filhos pequenos. Os criava sozinho, pois as crianças já tinham perdido a mãe, e com muita dificuldade, já que estava desempregado. Enquanto toda a cidade sentia raiva e medo com a notícia que se espalhava, uma luz se acendeu a partir de um novo modo de pensar: o pai da dona da tabacaria resolveu pedir a guarda dos dois filhos do homem que matou a sua filha. Aquelas crianças não tinham mais família para criá-las e este senhor, com uma consciência muito iluminada, optou pelo caminho do amor, interrompendo assim aquele ciclo de violência.

Seu gesto reverberou na cidade inteira, transformando o que era raiva, medo e indignação em exemplo e inspiração, como ver uma linda flor que nasce no meio de dois blocos de concreto no meio de uma rua.

Essa história me lembra outra, também de grande poder, vivida por Mahatma Gandhi.

No meio da guerra civil entre hindus e muçulmanos na Índia recém independente do Império Britânico, um homem desesperado chegou perto de Gandhi dizendo: “Eu vou para o inferno, eu matei uma criança”.

Gandhi perguntou: “Porquê?”

Ele respondeu: “Eles mataram meu filho, meu menino. Os muçulmanos mataram meu filho!”

E então Gandhi falou: “Eu conheço um jeito de escapar do inferno. Encontre uma criança. Um menino cujos pais tenham sido mortos e crie-o como se fosse seu. Mas ele deve ser muçulmano e deve educá-lo como tal.”

Depois de levemente hesitar, o homem sentiu o seu coração ser tocado por aquelas palavras de sabedoria e amor. Ajoelhou aos pés de Gandhi e chorou em agradecimento. Com o poder do amor seu ódio se dissolveu.

Vivemos dias em que bombas estão sendo respondidas com bombas e mortes com mortes. Medo gerando mais medo, raiva gerando mais raiva, ignorância gerando mais ignorância. Nos colocamos em posição de julgar o mundo da mesma forma que julgamos aquela pessoa que nos incomoda. Não nos interessamos em perceber que o incômodo é decorrente da nossa identificação e que, na luz e na sombra, tudo o que vemos e nos relacionamos é sim uma parte de nós. O que fica do julgamento do outro é sempre a arrogância que nos coloca em uma posição de apenas criticar e querer punição. Somos os “mocinhos” contra “aqueles bandidos”.

Desejo, com essas histórias e com a sabedoria das palavras e atos de Einstein, Gandhi e de um simples senhor desconhecido, como eu e você, lembrar que o poder do amor é acessível a todos nós e com ele somos capazes de promover pequenas-grandes revoluções verdadeiras.

Com compaixão e a consciência de unidade é sim possível encontrar alternativas que nos preencham de sentimentos de paz e felicidade. Podemos reencontrar e saudar o Deus dentro do outro e, consequentemente, reencontrá-lo dentro de nós, que é exatamente o significado de “Namastê”.

Para terminar esse texto cheio de belos exemplos, uma inspiração da música “Da Entrega”, de Fernando Anitelli:

“Nesse nosso desbravar emanemo-nos amor
Até quando suceder
De silenciar
O que nos trouxe até aqui.”

Não há outro lugar, espaço ou tempo que melhor ou pior do que o que vivemos agora para fazer valer a força do amor que pode nos unir. A mesma força que encontra um novo caminho, de um novo pensar, oposto ao que cria os problemas que enfrentamos hoje. Basta-nos dar o primeiro passo.

Einstein e Gandhi - Inspiração do Amor (autor desconhecido)

Einstein e Gandhi – Inspiração do Amor (autor desconhecido)

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