Qual é a raiz dos seus problemas? O que eles estão tentando dizer para você?

Postado por em 27 out, 2015 - Textos

Um mesmo problema pode ser interpretado a partir de muitos pontos de vistas. Com sentido que damos a cada um desses pontos, que reflete na forma com que escolhemos nos relacionar com o problema, criamos realidades completamente diferentes. Assim, podemos dar um grande passo em nosso caminhar quando aprendemos a ampliar o olhar na relação com tudo aquilo que nos desafia.

Nesta última semana vivi realidades completamente distintas ao me relacionar com uma mesma questão. Estou fora do Brasil há seis meses e, antes de partir, me certifiquei do que deveria fazer para seguir efetuando movimentações na minha conta corrente. Trouxe comigo um novo dispositivo de segurança, que disponibiliza senhas diferentes para cada transação, e o banco me garantiu que, com ele, eu seguiria usando normalmente a minha conta.

Mas, como sabemos, não é porque planejamos tudo “perfeitamente” que temos a garantia de que estamos “salvos”. Há um mês, ao tentar efetuar pagamentos, descobri que o meu dispositivo de segurança havia sido descontinuado pelo banco. Estando fora do Brasil, sem um telefone celular brasileiro, não poderia fazer nada para resolver isso rapidamente. Entrei em contato com o banco e eles ficaram de me enviar um novo dispositivo. Enquanto isso, tive que encontrar outras soluções para manter os pagamentos em dia.

Ontem eu fui tentar efetuar compras de passagens aéreas com o meu cartão de crédito, que é do mesmo banco, e ao final desta transação era necessário inserir a senha do dispositivo que não havia chegado. Os preços dessas passagens eram realmente baixos e eu queria aproveitá-los. Foi então que me vi tomado por uma forte irritação, bem comum daqueles momentos em que, obstinados, tentamos insistentemente fazer algo e não conseguimos. Por uma certa ignorância em situações como esta, achamos que estamos de mãos atadas, dependendo primeiramente de alguma outra coisa além de nós para que o nosso problema seja resolvido.

Vivemos um momento em que o mundo alimenta a raiva do mundo. Muita gente “no limite”, e os culpados pelos nossos problemas passam a ser bancos, chefes, maridos/esposas, a crise, a presidenta, os políticos, as empresas, o vizinho e por aí vai. Neste meu caso, o banco era o causador da minha irritação, era ele o meu problema. Enquanto seguia tentando novas alternativas, como o uso do cartão de crédito de familiares, sentia profundamente que tudo aquilo, todo aquele caos, só estava pedindo que eu fechasse o computador e parasse por um momento. Mas eu não parei. Fui dormir mal, pois durante todo o dia alimentei sentimentos desarmoniosos em mim. E, obviamente, não consegui comprar as passagens.

No fundo, sabia que era eu quem estava criando um problema para mim. Nada e ninguém além de mim. Eu estava escolhendo viver aquilo.

Hoje eu acordei e busquei um outro caminho. Respirei fundo, fechei os olhos e procurei o caminho do amor, da união e da harmonia dentro de mim. Depois, rapidamente consegui ter a clareza de que não havia qualquer problema ali. Deste novo lugar, resolvi novamente entrar em contato com o banco, mas dessa vez eu não queria falar com uma empresa. Empresas não tem sentimentos e não podem resolver nada. Pessoas sim! Já estava desapegado do fato de pagar mais caro ou mais barato pelas passagens, pela certeza de que tudo aquilo estava servindo a mim. Estava me vendo melhor.

E como é potente a criação pelo amor, pela paz!

Liguei para o banco e não para falar com o atendimento. Falei com a Ana. Ela me disse estava tudo correto com o meu pedido por um novo dispositivo, mas que a demora no envio se deu pela falta de pessoal, em função da greve bancaria. Liguei também para a gerência, mas não falei com a gerente, falei com a Thais. Em poucos minutos recebi um e-mail com a solução do meu problema. E eu vi que tinha recebido este e-mail enquanto conseguia concluir a compra das passagens aéreas, com o cartão de crédito de um familiar. Tudo resultante de um desatar dos nós que estavam dentro de mim e o que estava difícil ficou fácil.

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Temos o costume de confundir o que é consequência com o que é causa, no que diz respeito aos nossos problemas.

O universo que abrange as dificuldades em nossas vidas estão sempre ligadas a dinheiro, trabalho, relacionamentos (relações interpessoais) e/ou saúde. Cada problema que aparece em cada uma dessas dimensões é a consequência de algo mais profundo. Nossos problemas reais não são falta de dinheiro, uma relação difícil, o trabalho que não gostamos ou uma doença. Essas são apenas a forma com que os nossos reais problemas se apresentam para nós. Não aprendemos a buscar as causas, a raiz, e gastamos um tanto de energia sofrendo e tentando resolver apenas na superfície, no que aparece para nós como problema. É como remediar um sintoma ou retirar uma parte doente do nosso sistema sem dar atenção ao que gerou aquilo.

Sem curarmos o que traz a consequência, aquilo que gera o problema, estamos destinados a cair num ciclo de repetição. Se o problema de uma pessoa se apresenta como ansiedade e falta de sono (saúde), porque precisa de R$ 500.000 para pagar dívidas (dinheiro), seria lógico dizer que basta darmos esse valor para ela que está tudo resolvido, certo? Mas se essa mesma pessoa escolher buscar a solução na superfície, do que é apenas consequência, e não olhar para tudo aquilo que a fez contrair e não conseguir pagar essas dívidas, se ela não buscar a causa e a sua função, se não conseguir receber o recado que a vida está tentando passar, muito provavelmente irá recriar a situação, talvez até com mais intensidade. E quantos de nós já não vivemos problemas muitos parecidos retornarem?

Sem a cura da raiz, o padrão se repete.

Com a cura da raiz, o que era difícil se dissolve naturalmente, pois trabalhamos causa e consequência juntos. Fazemos dos nossos problemas mestres para, em seguida, resgatarmos um pouco mais da nossa capacidade de sermos nossos próprios mestres.

Cada situação que nos desafia tem uma mensagem para nós. Em cada dor, podemos provar substituir o “porque eu?”, carregado de lamentações, pelo “pra que?”, em busca do propósito e do serviço daquela dor para nós. Não é fácil, mas é certamente um caminho engrandecedor, de comunhão com a vida.

Isso me traz uma história cheia de sabedoria e que muito me inspira.

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Certa vez um homem sofreu um desastre durante um voo, com seu avião caindo no mar. Depois de quase morrer, este homem, único sobrevivente daquele voo, conseguiu nadar até uma ilha. Na areia da praia, chorava em agradecimento a Deus: “obrigado, Deus! Eu estou vivo!”.

Nenhum resgate chegou e o homem resolveu aprender a viver naquela ilha. Construiu uma casa, aprendeu a caçar, a pescar e a colher o que a natureza dali oferecia.

Alguns anos se passaram e um dia, retornando de uma manhã de caça, avistou uma fumaça perto de sua casa. Chegando mais perto, viu que era a sua casa que estava tomada pelo fogo.

Naquele instante suas forças se esvaíram e ele caiu de joelhos, olhando aquela cena. Num misto de raiva e tristeza, socou o chão de areia, aquele mesmo que o acolheu quando ele sobreviveu ao desastre de avião. E dizia: “porque eu Deus? Porque faz isso comigo? Já não bastava ter vivido a dor daquele desastre e ter que aprender a viver aqui sozinho? Agora me tiras a casa que eu construí?”.

Enquanto chorava e se lamentava, ajoelhado no chão, sentiu uma mão tocar seus ombros. Olhou para trás e viu um homem. Ele ajudou a levantá-lo do chão e disse: “ainda bem que você fez uma fogueira grande! Conseguimos ver seu sinal de fumaça de longe e viemos te resgatar”.

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Que possamos nos lembrar que caminhamos sempre de mãos dadas com a Luz, e que a vida que escolhemos viver é uma manifestação do Amor, sempre a serviço da vida.

Raiz da Vida

Raiz da Vida