Os riscos da felicidade

Postado por em 5 out, 2015 - Textos

A gente tem medo de falar a verdade pelo risco do outro não gostar da gente.

A gente tem medo de largar o emprego que não gosta pelo risco de não ter dinheiro.

A gente tem medo de escolher um caminho pelo risco de perder outros caminhos.

A gente tem medo de se abrir pelo risco de se machucar.

A gente tem medo do que não vê pelo risco de perder o controle.

A gente tem medo de se comprometer pelo risco de não querer mais (e não saber como desfazer o compromisso).

A gente tem medo de perder tempo pelo risco de perder a hora, do tempo não ser suficiente para fazermos o que devemos fazer.

A gente tem medo de chorar pelo risco de acharem que não somos fortes o suficiente.

A gente tem medo de soltar o riso pelo risco de acharem que não somos maduros ou sérios o suficiente.

A gente tem medo de abraçar forte pelo risco de ficar perto demais.

A gente tem medo da distância pelo risco de ficar longe demais.

A gente tem medo de inovar pelo risco de ser diferente.

A gente tem medo do que já sabemos pelo risco de não fazer nada de novo.

A gente tem medo do desconhecido pelo risco de se entregar.

A gente tem medo de gritar pelo risco de incomodar, de fazer barulho.

A gente tem medo do silencio pelo risco de não saber silenciar.

A gente tem medo da solidão pelo risco de não sabermos estarmos sós.

A gente tem medo de ser feliz pelo risco de que?

Talvez nossa vida seja uma grande folha branca de papel e, com cada ação de coragem, que vem de nossos corações, fazemos um risco nessa folha. De risco em risco, criamos um desenho do que somos e podemos nos reconhecer enquanto verdade.

Sem os riscos, deixamos o desenho incompleto, ou talvez até a folha em branco.
Sem os riscos perdemos a referencia: não sabemos o que somos e nem o que devemos fazer.

Podemos, talvez, nos inspirar na criança, que com muita simplicidade, verdade e liberdade não se cansa de criar e recriar seu próprio contorno. Sua folha é sempre plena de riscos, das mais variadas cores e formas. Sempre presente, a criança não se cansa de ser, a cada dia, um ser diferente.

O mundo quer que nossa potência, dons e talentos (tudo aquilo que nos gera sentimentos de realização e, consequentemente, felicidade), despertem. A vida precisa disso. Contudo, este despertar não pode acontecer se apenas esperamos o amanhã. Nós já somos aquilo que esperávamos ter ou ser e, para que esta essência seja revelada, se faz necessário viver os respectivos riscos de cada ação verdadeiramente nossa.

Lembremo-nos: existem muitas pessoas neste mesmo mundo vibrando para que, a cada dia, nossos passos estejam alinhados à direção deste despertar. Que então estejamos abertos a isso, recebendo essa força, para que a coragem seja o apoio de todas as nossas ações.

Criança (foto de Arthur Belino)

Criança (foto de Arthur Belino)